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China quer construir ferrovia cruzando o Brasil

SETCAMAR A FORÇA DO TRANSPORTADO

Superintendente Zanoni Luiz Favero
Thais Caroline S Ramos

A China Railway Construction Corporation, uma das maiores empresas de ferrovia do mundo, cogita liderar um consorcio para completar as obras da Ferrovia Oeste-Leste (FIOL), no sul da Bahia, e intregá-lá ao porto de Ilhéus (BA).

 

As obras da FIOL foram iniciadas em 2011, sob a responsabilidade da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes. Porém, desde então, o projeto está paralisado e apenas um trecho da ferrovia está em funcionamento.

 

A intenção do governo chinês ao completar o projeto é potencializar o escoamento da soja do centro-oeste brasileiro até o porto baiano. A soja é segundo principal produto comprado pela China no Brasil, atrás apenas do minério de ferro. Atualmente, os grãos precisam seguir de caminhão até o porto de Santos ou ser transportados até um entroncamento da Ferrovia Norte-Sul rumo ao porto de Itaqui, no Maranhão.

 

Além da integração entre a FIOL e o porto de Ilhéus, o plano do governo chinês inclui a criação de um braço ferroviário ligando a Ferrovia Norte-Sul ao município de Campinorte (GO), seguindo até o município de Lucas do Rio Verde (MT) e depois até Porto Velho (RO). De lá, a linha seguiria pelo Peru até um porto no oceano Pacífico. A ideia é criar uma alternativa ao Canal do Panamá, obra bancada pelos EUA que até hoje o governo chinês considera sob controle americano.

 

O projeto de criar uma ferrovia cruzando o território brasileiro foi apresentado ao presidente Michel Temer em sua viagem para a China em agosto deste ano. A proposta é apenas mais uma de uma série de projetos da China para o Brasil.

 

A crise na Venezuela levou a China a buscar parceiros mais estratégicos na América Latina – em especial, o Brasil. Segundo uma pesquisa da empresa de consultoria Dealogic, este ano os investimentos chineses no Brasil já movimentaram US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões). Para o governo brasileiro, a onda de aportes chineses pode representar um alívio para as agruras financeiras do país.

 

Fonte: Portal Benício

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